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viernes, agosto 12, 2022

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João Baptista Borges: O compromisso do governo de diversificar a economia de Angola continua a oferecer oportunidades aos investidores no sector da energia

Apesar da crise em curso no sector petrolífero a nível mundial que levou a quedas significativas nas receitas do governo, o governo angolano afirmou que continua cada vez mais empenhado na diversificação da economia do país, afastando-se da dependência das receitas petrolíferas.

O impulso do governo no sentido de aumentar a produção a nível nacional e, consequentemente, reduzir as importações, especialmente de alimentos, consiste numa série de iniciativas que incluem grandes investimentos em infra-estruturas de energia. O desenvolvimento da indústria energética, com o objectivo de fornecer energia barata, fiável e acessível tanto para a indústria como para a população, é um pré-requisito fundamental para o desenvolvimento do sector produtivo de Angola.

De acordo com Sua Excelência João Baptista Borges, Ministro da Energia e Água de Angola, o governo está preparado para investir cerca de 500 milhões de USD durante os próximos dois anos em projectos de energia solar no país, como parte de uma estratégia para aumentar a produção de energia limpa, e trazer electricidade para todo o país. Esta declaração foi proferida pelo Ministro Borges em Adis Abeba durante o 3º Fórum Empresarial Africano, promovido pela Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA), a 11 de Fevereiro de 2020.

Além disso, Angola espera implementar um projecto de 400 milhões de USD em duas fases no segmento da energia limpa, financiado pelo Banco Mundial e pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). O projecto tem como objectivo melhorar a distribuição de electricidade em quatro províncias-chave. O projecto espera igualmente reformar a estrutura das empresas públicas do sector com o objectivo de aumentar o acesso à energia a preços acessíveis para as populações angolanas mal servidas. A 29 de Maio, o governo iniciou uma consulta pública para determinar o impacto ambiental do projecto.

A companhia petrolífera estatal angolana, Sonangol, e a major italiana Eni assinaram em Junho de 2019 um acordo que criou a Solenova Ltd. O objectivo desta empresa controlada em conjunto é avaliar e desenvolver oportunidades de energia renovável em Angola. A ENI e o governo angolano também concordaram em desenvolver conjuntamente a Central Solar Caraculo de 50MW na província do sudoeste de Angola, no Namibe.

Nos próximos meses, segundo o Ministro da Energia e Água, serão instalados mais 300MW de energia solar no país, o equivalente a um terço da capacidade da central hidroeléctrica de Cambambe (uma das principais estruturas de energia em Angola), o que, segundo o Ministro João Baptista Borges, demonstra o empenho do governo nas energias renováveis, especialmente quando os custos de produção são competitivos.

«Vemos muitos projectos em preparação em Angola, para além dos que já estão em curso. Este é um testemunho de que o governo está seriamente empenhado em impulsionar a industrialização com a ajuda de energia a preços acessíveis. Acredito que estes investimentos irão dar frutos nos próximos anos e nas gerações vindouras», disse Verner Ayukegba, Vice-Presidente Sénior da Câmara Africana da Energia. Segundo ele, Angola tem mesmo o potencial de se tornar um futuro exportador de energia para a região. A existência de todas as grandes empresas petrolíferas internacionais (COI) é uma vantagem adicional para Angola, uma vez que estas empresas procuram aumentar a sua pegada não carbónica através do investimento em projectos de energia limpa. Enquanto a Eni parece estar a liderar o caminho em Angola com as suas iniciativas solares, outras estão preparadas para seguir. A companhia petrolífera francesa Total, por exemplo, iniciou negociações com o governo angolano, e prevê-se para breve um acordo sobre outros projectos de geração de energia limpa.

O ministro revelou também que o país já está a trabalhar com África50, uma plataforma pan-africana de investimento em infra-estruturas criada para promover os investimentos em infra-estruturas em toda a África.

Espera-se que as oportunidades de negócio no sector da energia aumentem dado que 50% da população angolana ainda não tem acesso fiável à electricidade. Segundo o Ministro João Baptista Borges, o Plano de Desenvolvimento do Sector Eléctrico Angolano e o Plano de Segurança Energética apontam para a construção de uma capacidade de cerca de 600 MW de energia solar no país até 2022, com a instalação de cerca de 30.000 sistemas individuais de produção de energia fotovoltaica, em conformidade com o Plano Nacional de Desenvolvimento 2018-2022 do país. Para atingir este objectivo, o ministro salientou nomeadamente que o governo irá abrir o sector à concorrência do sector privado, tanto nacional como internacional.

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